“O fato de eu gostar de Pixies e gostar de forró mostra que eu gosto de tudo”, diz Tato do Falamansa


Com 24 anos de estrada, a trajetória o Falamansa é um dos principais nomes do que foi apelidado de “forró universitário” e esse termo acaba também fazendo parte da história do grupo paulistano sem nenhum demérito por isso, muito pelo contrário. Afinal foi no 3º Festival de Música do Mackenzie onde tudo começou a ganhar forma.

Tato decidiu inscrever uma de suas composições (“Asas”) na competição mas ainda sem banda. Decidiu chamar Alemão, um amigo DJ que tocava zabumba, este por sua vez convocou seu vizinho Dezinho, que tocava triângulo, ao lado de um flautista e um baixista da primeira formação do grupo eles se apresentaram. Foram dois ensaios para tirar a a música e o esforço valeu a pena: ficaram em segundo lugar no concurso. Depois disso entrou Josivaldo Leite, o Waldir do Acordeon, e desta forma a formação estava completa.

O primeiro disco Deixa Entrar, distribuído pela Abril Music, chamou a atenção da DeckDisk e isso abriu muitas portas para o grupo que teve o nome originado da forma que tentaram descrever o som que faziam. O resto é história de uma banda que marcou no começo dos anos 2000 o cenário de música nacional com diversos hits radiofônicos. Sempre misturando diversos ritmos reverenciando Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Alceu Valença e tantos outros ícones da música brasileira mas sem deixar de dar seu toque autoral nas composições.

Falamansa no Forró da Lua Cheia

Pudemos acompanhar a apresentação do Falamansa durante o Festival Forró da Lua Cheia (leia a resenha) no feriado de Corpus Christi e por lá pudemos bater um papo com Tato para falar sobre diversos assuntos. Entre eles sobre o início da carreira, a volta para o independente, a paixão pelos Pixies e o feat. com a Iza que está a caminho. Confira!


Falamansa no Festival Forró da Lua CheiaFoto Por: Rafael Chioccarello (Hits Perdidos)

Entrevista: Tato (Falamansa)

No começo do Falamansa você estudava no Mackenzie com o pessoal e isso meio que ajudou a formação da banda e tudo mais. A partir de que momento que vocês decidiram seguir exclusivamente a banda e largar a faculdade?

Tato: “Sim, inclusive nosso festival foi lá (sobre o festival de bandas da faculdade que deu origem ao grupo). Na verdade não foi uma decisão, foi uma necessidade, acho que mais do que uma decisão, né?

Quando você está fazendo algo com objetivo e eram dois objetivos, né? A faculdade e a música. Então você tenta fazer os dois ao máximo até um superar o outro e foi isso que a gente fez. Então, a partir do momento em que nós não tínhamos data para poder estar na faculdade é porque a gente estava na estrada. E aí foi a música que nos tirou da faculdade para acreditar nela. Chamou a gente pra dançar.

Você também era roqueiro, né?…

Tato: “Eu sou, ainda, ainda sou!”

Até já falou algumas vezes de ouvir Pavement, Pixies, Fugazi, até você chegou a tocar no Teatro Odisséia junto com o Gram uma versão de “Where’s My Mind” há uns anos atrás, um jornalista amigo me falou…

Tato: “Sim, verdade!”



e você continua acompanhando? Você vai chegar a ver o Pixies no Popload, é um interesse?

Tato: “Sim, fiquei muito feliz nesta semana! O Pixies é uma banda que eu sigo e ela me segue também. As vezes que eu viajo para o exterior ela sempre está tocando nos lugares em que eu estou. É incrível a ligação que eu tenho. E a ligação com a música com uma boa intenção. Eu gosto de tudo.

O fato de eu gostar de Pixies e gostar de forró mostra que eu gosto de tudo. Não que eu goste de forró e de rock, porque são extremos. Então, eu acredito muito nisso, assim, no poder da canção, da melodia, das letras, enfim, não segrego ritmos.”

É uma coisa muito curiosa que as pessoas acabam não sabendo muito, associando as pessoas…

Tato: “Sim, mas se você ouvir o som da Falamansa você vai ver que tem muita vitalidade, as melodias menores do indie, assim, até tem.”

Nos primeiros dois discos vocês tiveram logo três hits radiofônicos que tocaram no Brasil inteiro, TV, rádio, aquela loucura toda. Passando por gravadora grande, depois mudando de gravadora, voltando para o independente, enfim, passando por tudo isso. E o que você sentiu que mudou na indústria nestes 20 anos e como que foi essa volta para o independente depois de tanto tempo.

Tato: “Na verdade também não foi uma intenção, foi um caminho natural, assim, ir para o independente. Foi porque a gente já entendeu como podíamos andar. Acho que qualquer empresa que você já sabe o caminho, você não precisa pegar alguém para te levar até lá. Então, a Falamansa de tanto fazer…aprendeu os próprios caminhos, isso fez com que a gente se tornasse independente e hoje cada vez mais a nossa independência depende também da coletividade. Colab com outras agências, enfim, tudo que a gente pode fazer. O Mundo mudou muito!”

Inclusive vocês estão para lançar um feat com a Iza, né?

Tato: “Isso.”

Qual seria um feat inusitado de um estilo nada a ver que vocês gostariam de fazer em algum momento? Já pensou em algo assim?

Tato: “Ah, cara, na verdade se eu pensar é que tem tudo a ver, assim, porque eu nunca faria nada que não tivesse nada a ver….”

Mas algo que as pessoas não associariam muito ao som de vocês….

Tato: “Talvez a Iza e a música, o jeito que a música vai vir, talvez as pessoas possam não ter imaginado o que vai vim, entendeu? Então isso, já. A gente quer fazer isso muito, que é levar a Falamansa para outros estilos e não trazer outros estilos para a gente. Acho que é ao contrário a gente levar a nossa textura para outros estilos que é algo que tá acontecendo com a Iza agora. Então é muito legal fazer isso. Espero fazer algo com vários mas coisa que eu goste, né?

E é uma novidade para vocês também, né?

Tato: “Nós fizemos com o Gabriel, o “Cacimba de Mágoa”, que foi FalamansaGabriel O Pensador. Então, a gente já fez algumas coisas com outros artistas de outros estilos….mas realmente a música com a Iza é diferenciada, o estilo é diferente mesmo de tudo que a gente já fez.”




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